quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Política Desportiva em Vendas Novas

Desde os primórdios dos Jogos Olímpicos que o Desporto é uma das grandes pedras de toque para transformar a saúde dos indivíduos.
Mais do que competir, incentivar os jovens, os adultos e os idosos a fazer desporto é um dos desafios e uma das grandes marcas das políticas desportivas de hoje, aparecendo o desporto, em primeira instância, associado à educação (com programas escolares específicos para várias modalidades), mais tarde, associado à competição, em modalidades integradas nos vários clubes desportivos do Associativismo Local, e por fim em programas associados à manutenção, em que os cidadãos, por sua livre e espontânea vontade, ou integrados em programas próprios, criados para o efeito, iniciam a atividade desportiva dita de manutenção.

Perante esta nova realidade do século XX e XXI, é notória a proliferação de conceitos de promoção das políticas desportivas. Por cá, o conceito de “Vendas Novas, cidade desporto”, desenvolvido pela nossa autarquia, surge como uma idealização positiva do mundo do desporto, mas cuja implementação, ao longo dos anos, se tem revelado insuficiente perante as realidades locais dos vários agentes desportivos do Concelho, das várias infraestruturas existentes, mas também da própria formação desportiva existente.

É também evidente que existem coisas positivas a destacar, das quais poderemos salientar os eventos desportivos que ao longo dos anos têm ocorrido em Vendas Novas, dos quais são exemplo as recentemente realizadas, quer no atletismo, com as finais nacionais do Mega Sprint, quer no Basquetebol, com as meias-finais e final da Taça Hugo dos Santos no passado fim-de-semana. Estes são de facto bons exemplos de realizações que poderemos dizer serem fundamentais para a existência de uma cidade com desporto, mas não são os únicos, nem os mais importantes para os vendasnovenses. Servem de exemplo, de motivação, mas por si só não colocam a população a praticar desporto.

Assim, gostava de aqui deixar 2 olhares sobre 2 grandes erros (na minha opinião) da gestão desportiva do município:

1. Infraestruturas Desportivas: mais do que a construção centralizada de um Parque Desportivo Municipal seria importante adotarmos uma política de distribuição de polos desportivos pelos principais bairros da cidade e do Concelho (como fazem outras cidades da nossa dimensão), nomeadamente com a implementação de minicampos desportivos onde se pode praticar uma ampla variedade de desportos, junto à porta de cada cidadão. Neste modelo, desenvolvido sob o lema da “Política Desportiva de Proximidade”, acrescem inúmeras mais-valias do que no modelo centralizador projetado pela nossa Câmara Municipal.
Como se justifica, por exemplo, o dinheiro gasto em Pistas Cicláveis de péssima execução e localização quando deveríamos facilitar a prática desportiva nos arredores da cidade com a construção de uma ecopista integrada na natureza (como fizeram as câmaras de Arraiolos, Évora e Montemor)?

2. Variedade Desportiva: se é certo que o desporto com maior número de praticantes em todo o mundo é o futebol (daí que seja chamado de “desporto rei”), também não é menos verdade que a variedade é essencial para que as populações se sintam motivadas e envolvidas nas políticas desportivas. Este facto leva-nos a um paradoxo incontornável: se os apoios municipais ao desporto se medem pelo número de praticantes, como é possível haver variedade, sendo que é mais fácil e rentável aos clubes implementar escolas de futebol do que de qualquer outra modalidade?
Quero com isto dizer que acabamos por cair numa situação em que quem gosta de outros desportos acaba por ter que os ir praticar noutros concelhos por não ter oportunidade de o fazer em Vendas Novas.
A título de exemplo deixo o ténis, os desportos radicais como o Skate e os Patins em Linha, mas também o Basquetebol, o Voleibol, etc.

Como é possível aceitar uma política desportiva em que o único Pavilhão Municipal tem uma taxa de cobertura integralmente voltada para uma única modalidade? Qual o espaço existente para que outros desportos com tradição em Vendas Novas possam ser praticados?

Numa situação de enormes constrangimentos económicos para os Clubes locais, é importante termos uma política desportiva que determine aquilo que quer para o Desporto no Concelho, bem como uma política que saiba para onde se caminha, apoiando de forma séria e transparente quem constrói o desporto em Vendas Novas.

2012: Ano de “Fazer Acontecer”

Coloque as ideias em ação. Lembre-se que uma ideia razoável colocada em ação é muito melhor que uma grande ideia arquivada."

Para o arranque de mais um ano de visões partilhadas com os leitores, espero que possamos vir a caminhar lado a lado na procura e desenvolvimento de temas que merecem uma abordagem mais mediática, dando-lhes maior enfase (sempre com a devida subjetividade) junto da Comunidade Vendasnovense.

Assim, e tal como no ano de 2011, em que pedia que fossem “Movidas Montanhas” num esforço comum de procura de respostas para os problemas que enfrentávamos, também hoje, no arranque daquele que muitos dizem vir a ser o pior ano das nossa curta história democrática, devemos pensar em “Fazer Acontecer”.

Talvez 2011 não tenha sido o ano que desejei há precisamente 1 ano. Talvez não tenhamos ultrapassado os terríveis desafios que sabíamos ter pela frente, mas tal como há 1 ano, hoje, continuo a acreditar nas pessoas, na sua capacidade transformadora, na sua capacidade criativa, sobretudo porque prefiro ter esperança a desistir.

Dito isto, e num momento em que a depressão, o desalento e o pessimismo assolam grande parte da nossa Sociedade, penso que é obrigação de Todos (dos nossos governantes nacionais e locais aos mais altos dirigentes das nossas empresas, dos nossos dirigentes associativos a todos e cada um de nós) encontrarmos algo de positivo em cada adversidade transformando as fraquezas em forças e aproveitando cada oportunidade que se nos afigura.

Para este ano, são os meus desejos mais profundos para a nossa Portugal, para o Alentejo, mas também para Vendas Novas, que saibamos olhar o futuro e saber ver nele algo de bom a deixarmos aos nossos descendentes. Que saibamos direcionar a nossa vida com a certeza de que teremos muitas dificuldades, mas que com coragem, determinação e muito trabalho acabaremos por vingar. Que sejamos pessoas únicas e valiosas, das quais a Sociedade não possa, não deva e não queira abdicar.

Perante todos estes desafios é claro que 2012 será um ano de menos palavras e mais ação. Mais do que falarmos do passado e dos erros cometidos ao longo da nossa história devemos reinventar a história e transformar cada área da nossa vida.

Para “Fazer Acontecer” devemos pois:

1. Ser otimistas – o pessimismo nunca constrói, apenas destrói;

2. Fazer tudo com muita vontade e prazer – o que nos dará maior motivação para continuarmos a trabalhar a cada dia;

3. Procurar estar do lado das soluções e não dos problemas – todos temos problemas, mas só estando do lado das soluções os poderemos resolver. Nada se resolverá se apenas dermos ênfase àquilo que nos condiciona;

4. Procurar sempre a excelência no que fazemos – se formos sempre bons no que fazemos teremos mais reconhecimento por parte dos outros e isso dar-nos-á prestígio e mais estabilidade;

5. Focar-nos no que realmente importa – Dar importância a questões marginais à nossa vida ou valorizar problemas dos outros só nos fará desviar atenções do que realmente deve interessar. Assim, concentremo-nos na nossa vida, nos nossos projetos, no nosso trabalho.

Acredito pois que nas nossas vidas, nas nossas profissões, na nossa atividade cívica poderemos e deveremos “Fazer Acontecer”.
Acredito que seremos capazes de, com esta atitude, vencermos 2012 e os desafios que se nos colocam!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Gestão autárquica em tempos de crise


Gerir é um exercício cada vez mais exigente e necessário na vida de cada pessoa, mas “saber gerir” e “gerir bem” são conceitos bem distantes de “gerir” em si mesmo. Se a este facto aliarmos a necessidade de gerirmos bem o pouco que temos, então torna-se evidente que a parcimónia e o rigor serão as linhas orientadoras de qualquer bom gestor.
Esta realidade da gestão é hoje reconhecida mas empresas, entidades públicas, mas também ao nível das famílias, sendo a prática comum a todas estas diferentes realidades. Assim, gerir recursos públicos é, antes de mais, um acto revestido de enorme nobreza, mas também de enorme responsabilidade.
Em Vendas Novas, gerir os destinos da nossa Autarquia e dos cerca de 11.000 vendasnovenses, deve ser um motivo de orgulho para aqueles que foram escolhidos pela população para o fazer mas, como é óbvio, este tem que ser um exercício e uma responsabilidade que nunca devem sair dos horizontes de cada autarca do Concelho, quer se trate do executivo, quer da oposição.
Deixo pois 5 problemas do actual modelo de gestão do nosso Município, numa altura em que o fim do ano se aproxima e em que temos obrigação de fazer um balanço daquela que foi a nossa conduta, mas também 5 propostas para estes problemas:
  1. Num contexto económico particularmente difícil que Portugal e a Europa atravessam torna-se óbvio que algo também não está bem nas finanças do Concelho de Vendas Novas, muito por causa dos critérios que orientam a sua gestão. Este facto tornou-se mais claro na Assembleia Municipal realizada no passado dia 29 de Novembro, em que o PCP aprovou a abertura de mais 35 concursos para o Mapa de Pessoal da Câmara Municipal, com os inerentes custos implicados nestas contratações. Além de ter ficado claro que se incentiva no Concelho o trabalho precário, com contratos eternamente a prazo (e que haviam sido, nas palavras do Sr. Presidente, extintos em Março de 2010), é também óbvio que, a médio prazo, os custos desequilibrarão as contas do nosso município, sendo que não existe uma verdadeira política de gestão de recursos humanos com critérios claros e necessidades identificadas.
  2. Quando o nosso município recebe cerca de 3,5 milhões de euros do estado (receita mais certa do município) e só de despesas com pessoal tem 4 milhões de euros, deixa bem claro o mau caminho de ruptura financeira que seguimos;
  3. Quando apresentamos uma média de trabalhadores por habitante muito superior à média nacional e muito acima dos municípios nossos vizinhos, como argumentar que precisamos de mais 35 trabalhadores na Autarquia?
  4. Quando, em Dezembro de 2010, se devia cerca de 7 milhões de euros a entidades externas, qual a justificação perante tais entidades para aumentar agora as despesas com o pessoal da Câmara?
  5. Quando chegamos ao ponto em que a Câmara tem que pedir empréstimos para pagar empréstimos, com os inerentes encargos com juros, como poderemos vislumbrar uma boa saída para as nossas contas?
Na minha opinião, e perante esta situação que atravessamos, será necessário ao Município de Vendas Novas:
  1. Uma melhor análise da situação difícil que atravessamos, sem qualquer cegueira ideológica como barreira, identificando-se problemas e possíveis soluções;
  2. Uma melhor identificação dos recursos realmente necessários para resolver os problemas identificados e prestar serviços de qualidade para a população;
  3. Um cada vez melhor planeamento estratégico, sobretudo realista e com metas claramente atingíveis;
  4. Uma execução mais rigorosa do que foi traçado em sede de planeamento, olhando-se para as oportunidades que o território em que nos encontramos tem, para as ameaças que a crise mundial nos traz, mas também para as forças e fraquezas da nossa própria instituição;
  5. Cumprir com as suas obrigações e compromissos perante fornecedores, mas também perante as associações de Vendas Novas, não prometendo aquilo que depois não pode ser cumprido.
Estes são 5 dos pilares de qualquer boa gestão. Basta tentar segui-los para se fazer, a cada dia, um melhor trabalho em benefício dos nossos cidadãos. Tentemos trazê-lo para Vendas Novas para vencermos o nosso futuro colectivo!

Comércio Tradicional volta ao centro de Vendas Novas

Entendendo as cidades modernas como organismos vivos e dinâmicos, teremos que saber também interpretar os seus centros como uma boa amostra dessa mesma vitalidade e dinamismo.
Assim, desde o encerramento da saudosa “Pastelaria Império”, há já alguns anos que o centro tradicional Vendas Novas tem vindo a perder a força, o dinamismo e o vigor que demonstrava até ao final da década de 90. Para este facto contribuíram obviamente:
  • A mudança de ritmos de vida da Sociedade;
  • A redução de clientes neste tipo de comércio e serviços, sobretudo nesta zona da cidade;
  • O encerramento de lojas e pequenos estabelecimentos que existiam na Avenida da República em Vendas Novas;
  • Mas também a deslocação da sede do Estrela Futebol Clube da Rua Joaquim Pedro de Matos para a Avenida 25 de Abril e, consequentemente, de todas as actividades que enchiam antiga sede muitas vezes de visitantes.
Desde então, apenas vingaram no centro de Vendas Novas algumas lojas que teimosamente foram resistindo à adversidade dos tempos.
Somos então obrigados a lamentar que nada tenha sido feito pela Câmara Municipal de Vendas Novas para revitalizar, reinventar, e regenerar esta zona da Cidade. De facto, e como é reconhecido por muitos especialistas na matéria, são as actividades comerciais os principais responsáveis pelo desenvolvimento e sustentabilidade das cidades, sobretudo nos seus centros urbanos e históricos.
Assim, aqui deixo 4 propostas do que poderá e deverá ser feito no Centro Tradicional de Vendas Novas (com alguma criatividade e pouco investimento):
  1. O regresso das Festas do Concelho ao centro da cidade;
  2. A promoção de actividades municipais no Centro Tradicional;
  3. O incentivo ao arrendamento jovem nesta zona;
  4. O incentivo à regeneração urbana, por exemplo, com a criação de um plano de pormenor para esta zona, onde se determinem vários apoios aos proprietários que decidam intervir nos seus imóveis.
No entanto, e mesmo sem qualquer esforço municipal para a revitalização da parte mais nobre da cidade, a verdade é que verificamos com bons olhos que hoje são já vários os empresários vendasnovenses que, num espírito empreendedor e empenhado, mas também arriscado têm vindo a fixar-se nesta zona.
Aliando a este facto a instalação de associações locais na área, como a Casa do Benfica de Vendas Novas, verificamos que tem vindo a aumentar as actividades, levando isto a um reforço da presença dos vendasnovenses no coração da cidade.
Sempre entendi que Vendas Novas tem o seu principal valor nas pessoas, e só com um centro tradicional cheio de gente poderemos ter uma identidade social e cultural forte bem como a necessária produção de riqueza e criação de emprego que nos levam no sentido da sustentabilidade económica.
Congratulo assim, todos os empresários e pequenos investidores que optam por se fixar em Vendas Novas, ao invés de desistirem ou procurarem outras paragens para investir. Só assim poderemos ter um Concelho mais forte, mais desenvolvido e onde se poderá viver melhor.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mais olhos que barriga

Durante grande parte do mês de Setembro, e boa parte do que levamos do mês de Outubro, têm sido notícia as terríveis previsões para as finanças portuguesas, tendo todas as projecções iniciais de todas as entidades sido suplantadas e com todas as previsões para 2012 a serem revistas em baixa. Juntando estes dados ao fraco optimismo dos portugueses e dos europeus em geral, à manutenção de elevadíssimas taxas de desemprego e aos cortes violentíssimos que todos sentimos na carteira, não é expectável que o País viva, nos próximos anos, como tem vivido até aqui.

Este é um momento de extrema importância e em que, mais do que reconhecer erros passados, teremos que olhar para o futuro e encontrar soluções para os problemas com que esperamos vir a deparar-nos. Assim, e mesmo sem sermos especialistas em economia e finanças, há algumas coisas que reconhecemos:

1. Para que o País recupere terá que haver um esforço conjunto que toque todos os sectores da Sociedade num espírito único de motivação nacional;

2. Só por via do aumento das exportações e da redução das importações poderemos resolver as desigualdades da nossa balança comercial;

3. Deveremos continuar a apostar em sectores que nos garantam alguma autonomia financeira como sejam o sector das energias alternativas, das tecnologias e ainda da inovação;

4. Por último, considero fundamental que se continue a manter uma noção básica das funções sociais do Estado, bem como uma visão solidária do seu papel para com as populações. Quero com isto dizer que não é privatizando a água, a Caixa Geral de Depósitos ou a RTP que resolveremos os problemas do País, mas que poderá também ser pela reestruturação dos mesmos e pela responsabilização de quem neles labora.

Quero com isto dizer que a responsabilidade é inerente a qualquer bom profissional e que a ética é o garante do rumo certo para a nossa vida em Sociedade, pelo que devemos pensar no que acontece em Portugal, no que aconteceu na Madeira e no que acontece em muitas das autarquias do nosso País, como Vendas Novas.

Se é certo que a ilha de Jardim nos afundou muito mais do que julgávamos, não é menos verdade que também nas autarquias (independentemente dos partidos que as lideram) existem contas pouco claras e resultados sinceramente preocupantes.

No exemplo da nossa terra, que se soube dever já 7 milhões de euros em Dezembro, foi agora tornado público que a autarquia deve 60.000€ à Junta de Freguesia de Vendas Novas e 25.000€ à de Landeira, existindo mesmo outros fornecedores que não recebem há mais de 1 ano por serviços já prestados.

Pergunto eu: Haverá responsabilidade ou desculpa para que Jardim viva na sua ilha como se nada fosse e que em Vendas Novas se continuem a fazer festas e a esbanjar dinheiro como se a saúde financeira do município fosse um mar de rosas?

Não, e não. Havendo responsabilidade e consciência, nunca poderíamos admitir que em Vendas Novas ou na Madeira existam empresas à beira de fechar devido a dívidas próprias de quem tem mais olhos que barriga.

Ainda se o dinheiro investido resultasse em serviços de incontornável interesse público, mas onde foram investidos os 7 milhões da dívida vendasnovense? Em Mercados vazios? Em Pistas cicláveis? Em estudos e assessorias para “alimentar” os amigos do Partido?

Se, na verdade, estes factos demonstram uma enorme falta de ética e de respeito pelas pessoas, é também como diz o ditado popular: “Quem não tem dinheiro não tem vícios”!